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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Dilma sabe que economia precisa de empreiteiras da Lava Jato

Presidente Dilma Rousseff faz discurso na primeira reunião ministerial do segundo mandato
No discurso de abertura da primeira reunião ministerial de sua nova equipe, a presidente afirmou que "ser capaz de combater a corrupção não pode significar a destruição de empresas privadas também"

São Paulo - Dilma Rousseff reconheceu publicamente pela primeira vez que não se deve permitir a ruína de grandes empreiteiras brasileiras citadas no escândalo de propina que tem a Petrobras como protagonista, mostrando estar ciente de que isso prejudicaria ainda mais a combalida economia brasileira.
No discurso de abertura da primeira reunião ministerial de sua nova equipe, a presidente afirmou que "ser capaz de combater a corrupção não pode significar a destruição de empresas privadas também". "As empresas têm de ser preservadas, as pessoas que foram culpadas é que têm que ser punidas, não as empresas", enfatizou.
Dilma já tinha mencionado o escândalo da Petrobras publicamente em outras ocasiões importantes recentes, como em sua diplomação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 18 de dezembro último, e no discurso de posse no Congresso Nacional, em 1º de janeiro.
Nos dois momentos anteriores, porém, a presidente ignorou qualquer menção às companhias privadas denunciadas pelo Ministério Público Federal, entre elas as maiores empreiteiras do país, tendo optado por defender enfaticamente apenas a Petrobras: o nome da estatal foi repetido à exaustão, oito e nove vezes, respectivamente.
No discurso desta terça-feira, a Petrobras foi citada seis vezes e as empresas privadas, duas. Foi um evidente sinal de entendimento, pela presidente, de que não basta apenas recuperar a estatal, cujos contratos com sobrepreço teriam abastecido por muitos anos os bolsos de ex-funcionários, executivos de fornecedoras e políticos.
As seis grandes empreiteiras citadas na denúncia feita em meados de dezembro pelo Ministério Público e aceita pela Justiça estão envolvidas em grandes empreendimentos no Brasil, como sócias ou responsáveis pelas obras.
OAS, Camargo Corrêa, UTC Engenharia, Mendes Júnior, Engevix e Galvão Engenharia têm presença em aeroportos, rodovias e grandes hidrelétricas, para citar apenas alguns exemplos.
São projetos que representaram uma das principais apostas do primeiro mandato de Dilma e que continuarão sendo estratégicos para elevar os investimentos e movimentar a economia.
Mas o que mudou do fim do ano para cá que justifique um afago de Dilma às empresas privadas? No começo de janeiro, a OAS deixou de pagar juros sobre títulos de dívida no exterior, o que motivou as principais agências de classificação de risco a piorarem a nota de crédito do grupo.
Desde então, Moody's e Standard & Poor's têm reduzido os ratings de grandes construtoras no Brasil, e não apenas daquelas citadas na Lava Jato.
Isso significa, na prática, que vai ficar mais caro para essas companhias financiarem suas operações. Algumas delas negociam a venda de ativos para aliviar a pressão sobre sua solvência.
Um eventual colapso das empresas privadas citadas na Lava Jato representaria, portanto, a possível paralisação de obras fundamentais de infraestrutura e com potencial de deixar dezenas de milhares de brasileiros sem emprego.
Dilma, claro, quer evitar que isso aconteça. Ela sabe que enfrenta um segundo mandato repleto de desafios, com a inflação acima do teto da meta mesmo com a elevação da taxa básica de juro Selic, aumento das apostas de recessão da economia em 2015 e piora do mercado de trabalho.
O governo já indicou que vê como saída acordos de leniência caso sejam propostos pelas empresas acusadas dentro da Lava Jato, como disse recentemente à Reuters o ministro da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams.
Para ele, um acordo de leniência é bom para a empresa, por evitar o risco de que ela feche as portas, e "fortalece o processo de recuperação de patrimônio" desviado.
A discussão aqui não é se deveria haver menor concentração de negócios nas mãos de uma dezena de empreiteiras de grande porte no Brasil.
É claro que seria mais proveitoso para o país ter um número maior delas, mas o fato é que são poucas as que hoje têm musculatura financeira para participar de empreendimentos que exijam investimentos vultosos, uma realidade construída ao longo de décadas e que não se muda repentinamente.
Fonte: EXAME.com

sábado, 31 de janeiro de 2015

Petrobras interrompe construção de refinarias após gastar R$ 2,7 bilhões


Refinarias seriam construídas no Ceará e no Maranhão, perto das capitais.
Juntas, elas deveriam produzir 900 mil barris por dia.


O Bom Dia Brasil foi para a estrada para mostrar por que a Petrobras decidiu interromper a construção de duas refinarias no Nordeste que estavam previstas no PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento. A empresa gastou bilhões de reais para não chegar a lugar nenhum.
As refinarias seriam construídas no Ceará e no Maranhão, bem perto das capitais. A equipe do Bom Dia Brasil percorreu nos dois estados 120 quilômetros. Juntas, elas deveriam produzir 900 mil barris por dia. Um investimento seria no total de R$ 40 bilhões em cada uma. A Petrobras chegou a gastar R$ 2,7 bilhões nas obras que já foram feitas até agora.
As refinarias foram anunciadas como projetos estratégicos e defendidas pelo então presidente Lula. Mas, segundo especialistas ouvidos pelo Bom Dia Brasil, o negócio era tão ruim, que a estatal preferiu perder o dinheiro que já tinha sido gasto. O motivo? Era preciso investir muito em infraestrutura e a localização dos projetos não era estratégica.
Não foi só a Petrobras que saiu perdendo. O prejuízo também foi grande para quem mora nas regiões do Maranhão e do Ceará onde as refinarias seriam construídas.
O anúncio da instalação da refinaria da Petrobras em 2010 movimentou a tranquila Bacabeira, a 60 quilômetros de São Luís. “Os empresários que fizeram grandes investimentos contando com uma coisa e a coisa foi outra”, diz o técnico administrativo Henrique Calver.
A promessa era a criação de 25 mil empregos diretos e indiretos. E quando as obras pararam, muita gente que veio de longe atrás de uma vaga ficou de braços cruzados, sem saber o que fazer.
O eletricista Adriano Ribeiro se mudou com a família inteira de Manaus para trabalhar na refinaria. Hoje, todos estão desempregados, vivendo de bicos. “Agora está todo mundo procurando emprego na cidade, muitos estão indo embora e está desse jeito”, conta.
Alguns empresários pretendiam investir alto na região, com a chegada da refinaria. Uma grande rede de hotéis projetou um resort, moderno, com 150 apartamentos, mas, com a paralisação das obras da refinaria, o hotel de seis andares se transformou em uma obra abandonada no meio do mato. Um retrato da decepção de quem esperava lucrar com o crescimento da economia local.
Outros empreendimentos também foram construídos, com a previsão de um comércio mais aquecido. Mas dona Iracilda segue, como antes, na cadeira de balanço, à espera de clientes. “Muita expectativa e na hora não aconteceu nada”, diz.
A maioria dos desiludidos com a promessa de emprego já foi embora, mas os forasteiros ainda são muitos em Bacabeira. Alguns até arrumaram emprego provisório, enquanto alimentavam a esperança de trabalhar na refinaria. “Muita gente veio para tentar realizar a vida aqui. É um sonho e esse sonho nunca vai ser realizado”, diz um morador.

Os portões agora cercam um grande terreno sem qualquer utilidade. Localizada estrategicamente no Complexo Portuário do Pecem, a refinaria era uma das maiores promessas de desenvolvimento para o Ceará.

A comerciante Raimunda Andrade construiu uma pousada e ampliou um restaurante, pensando nos milhares de trabalhadores que viriam para a região. “Imaginei, vou jogar tudo aqui, mas depois vou recuperar tudo e vou ser feliz. E agora eu estou aqui sem saber o que fazer, que direção tomar”, conta.
Algumas perdas são impossíveis de calcular. Por volta de 80 famílias que moravam no terreno da refinaria tiveram as casas desapropriadas e foram distribuídas para assentamentos e vilas. Hoje estão ainda mais inconformadas por terem de ceder espaço para uma refinaria que nem vai sair do papel.

As indústrias do estado também não escondem a frustração. “Eu acho que essa situação que nós estamos vivendo no Ceará, com a desistência da Petrobras em construir esse grande monumento industrial é uma grande decepção”, afirma O presidente da Federação das Indústrias do Ceará, Beto Studart.

O governo do Ceará já disse que vai pedir indenização e que não desistiu da refinaria.“É claro que a própria resolução do balanço da Petrobras diz isso que todos os prejuízos do estado serão ressarcidos, mas não é isso que nós queremos, queremos é que a refinaria venha para o estado do Ceará”, diz o governador do Ceará, Camilo Santana.

A Petrobras informou que os projetos foram encerrados porque os resultados econômicos não demonstraram atratividade. A estatal também declarou que adotará todas as providências necessárias para reavaliar os compromissos assumidos com os governos estaduais e municipais.
No entendimento do Ministério de Minas e Energia, o cancelamento dos projetos está associado ao momento delicado por que passa a Petrobras.
Fonte: G1

domingo, 11 de janeiro de 2015

Os estádios da Copa que mais sugaram dinheiro público

Torcedor com a camisa de Garrincha acompanha a estreia do Brasil na Copa do Mundo em jogo contra a Croácia, na Arena CorinthiansAs obras nos estádios da Copa do Mundo não atraíram o interesse de investidores privados como o governo federal imaginava.


Apenas 611,6 milhões de reais (ou 7,2% do total) destinados aos empreendimentos vieram da iniciativa privada. É o que mostra a última atualização da Matriz de Responsabilidades do evento, publicada em 24 de dezembro. 
No total, 8,3 bilhões de reais foram despejados nas construções e reformas das arenas que foram palco dos 64 jogos do mundial. 
Os governos estaduais e municipais das cidades-sede foram os responsáveis pela maior parte dos investimentos. Juntos, eles desembolsaram R$ 3,9 bilhões com os estádios. Os outros R$ 3,8 bilhões foram custeados com financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). 
Apenas 3 estádios tiveram investimentos privados. 
O estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF), é o exemplo mais contundente disso. A arena mais cara do Mundial recebeu recursos apenas do poder público local - por meio da Terracap (agência imobiliária pública controlada pelo Distrito Federal e pela União).
Estádio Mané Garrincha, em Brasília
O custo de todas as obras relacionadas com o Mundial superou  os 27 bilhões de reais. Apenas 15% deste montante foi pago pela iniciativa privada. 
Seleção brasileira de futebol em jogo da Copa do Mundo 2014
Fonte: EXAME.com

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Petrobras rescinde contratos com construtora Delta


Delta é acusada no esquema de corrupção de Carlinhos Cachoeira. Petrobras diz que a rescisão foi por conta do baixo desempenho da empresa.

A Petrobras rescindiu os contratos com os consórcios Itaboraí-URE e Itaboarí-HDT, ambos com participação da construtora Delta, na última sexta-feira (11). Segundo nota da empresa, a rescisão foi motivada por baixo desempenho por parte do consórcio.
O consórcio é formado pelas empresas Delta, TKK Engenharia Ltda e a Projectus Consultoria Ltda, e atuava no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Ao todo, os contratos rescindindo somam R$ 846 milhões, e foram firmados para a construção e montagem de uma unidade de tratamento e armazernamento de enxofre e para construção de uma unidade de hidrotratamento de nafta. "A Petrobras está estudando a melhor solução para evitar impactos no cronograma do Comperj", diz a empresa, em nota.
A empresa também explica que foi mantido um contrato com a Delta, no valor de R$ 129 milhões, para reforma de uma unidade de tratamento de águas ácidas, que deve ser entregue em julho deste ano. A J&F Holding, empresa que assumiu o controle da Delta Construções, demitiu 800 funcionários após o anúncio da Petrobras. Segundo o jornal O Globo, foram demitidos 500 operários e 300 técnicos.
A construtora Delta enfrenta problemas desde que foram divulgadas denúncias de envolvimento dos diretores da empresa com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. A Delta era considerada uma das maiores construtoras do Brasil, mas como mostra reportagem de ÉPOCA, a empresa é suspeita de fraudar licitações com o apoio do lobby da turma de Cachoeira.



Fonte: Revista Época

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ex-secretário é preso por desviar dinheiro da prefeitura de Rio Grande


O ex-secretário de Rio Grande, Ademir Valente, foi preso nesta quarta-feira. Ele é suspeito de participar de um esquema de desvio de dinheiro da secretaria de Fazenda da cidade. O mandado de prisão foi expedido pela Justiça após investigação do Ministério Público de rio grande. Ele é acusado de desviar mais de R$ 900 mil dos cofres públicos entre os anos de 2005 e 2010.

Descoberto em maio do ano passado, o esquema de desvio envolvia servidores da secretaria da Fazenda. Eles repassavam quantias em dinheiro para contas particulares. Três pessoas foram presas e todas respondem ao processo em liberdade. Pelo menos R$ 2,5 milhões foram desviados.

O homem foi ouvido pelo Ministério Público. Não foi informado quem será o advogado do acusado. Durante a prisão, mais R$ 8 mil foram apreendidos com ele, em sua casa. Nesta quinta-feira, haverá esclarecimentos da Promotoria a respeito da investigação e também dos envolvidos.

Fonte: ZERO HORA

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