domingo, 25 de outubro de 2009

Poço com fundo


Indústria naval brasileira pode sofrer escassez de financiamento se todos os investimentos previstos para os próximos anos se confirmarem.

As empresas brasileiras que atuam nos setores de transporte marítimo e fluvial e construção naval podem enfrentar dificuldades para obter financiamentos via Fundo de Marinha Mercante (FMM) no futuro, caso sejam confirmadas as reservas de petróleo na camada pré-sal e a Petrobras cumpra seu plano de negócios, que prevê investimentos de até US$ 174,4 bilhões até 2013. A afirmação é de Tom Mario Ringseth, representante no Brasil do banco norueguês DnB Nor, que fez o alerta em palestra durante a sexta edição da Navalshore.

Além da Petrobras, outras empresas podem recorrer ao fundo, caso sejam confirmadas reservas nos poços do pré-sal. Para Ringseth, “o Fundo de Marinha Mercante está ficando escasso” e as companhias terão de buscar financiamento no mercado internacional em condições menos favoráveis. Hoje, o FMM financia até 90% da construção de uma embarcação, por prazo de até 20 anos, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco do Brasil (BB), do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), ou do Banco da Amazônia (Basa), que atuam como agentes financeiros. Bancos internacionais, como o DnB Nor, podem oferecer garantias à operação. O DnB tem uma carteira de mais de US$ 500 milhões em garantias sobre operações do BNDES e do BB no Brasil.

“A Petrobras está buscando parcerias bilaterais, como com o US Exim Bank, dos Estados Unidos, e na China, com US$ 10 bilhões de cada um. Acredito que a companhia irá ao mercado buscar empréstimos. Obviamente estão esperando para ver se as taxas de spread caem um pouco. Também acho que o BNDES terá uma atuação mais direta com a Petrobras, e isso resultaria em uma redução da quantidade de recursos disponível no fundo (de Marinha Mercante) para outras companhias presentes no Brasil. E o Brasil vai precisar de financiamentos através de debêntures globais, quando o mercado melhorar um pouco. Acho que a conta não fecha”, avisou.

Ele afirmou ainda que o fundo dificilmente financiará, no futuro, a aquisição de equipamentos importados para a indústria naval, devido à escassez de recursos.

Ringseth disse que, com a retração na concessão de crédito causada pela crise financeira mundial, existe hoje no mundo um déficit global de US$ 600 bilhões em financiamento para a indústria naval.

Além de tornar mais difícil a obtenção de crédito e a captação de recursos no mercado com operações como debêntures, a crise fez com que muitos bancos adotassem uma postura mais cautelosa, reduzindo sua participação no financiamento de um negócio ou se retirassem do mercado da indústria naval.

“Não será mais possível obter financiamentos de até 90% dos projetos, como anteriormente. Hoje, o tomador tem que entrar com 40% a 50% e os prazos são mais curtos. Existem de 10 a 15 bancos globalmente no setor naval, realizando operações banco-cliente, com negócios de US$ 25 bilhões a US$ 35 bilhões. Há uma falta anual de US$ 50 bilhões em financiamento para o setor. Somente este ano, a necessidade de financiamento seria de US$ 100 bilhões, mas até o primeiro semestre estamos mais ou menos com US$ 15 bilhões. Houve uma redução brutal quanto à disponibilidade para financiar projetos do setor naval, e há operações com spreads que chegam a 800 pontos”, disse.

A crise tornou mais difícil também a captação de recursos por meio do mercado de ações. Segundo Ringseth, o mercado de underwriting (quando bancos representam ou subscrevem a oferta de ações de uma companhia no mercado de capital), que antes realizava operações de até US$ 200 milhões, hoje negocia em torno de US$ 25 milhões a US$ 30 milhões.

O executivo lembrou que, além da escassez de recursos, a crise levou os bancos a estabelecer regras mais restritivas para a concessão de crédito e a reduzir seus portfólios de financiamento; muitos tiveram de fechar as portas ou foram comprados por outras instituições; e vários governos injetaram capital em bancos, aumentando seu controle e tornando mais severa a regulamentação do setor financeiro.

Segundo Ringseth, existem hoje quatro tipo de bancos: os que não emprestam; os que emprestam apenas para os melhores clientes; os que emprestam para proteger o relacionamento com um cliente específico e bancos como BNDES e Banco do Brasil, que só emprestam para o próprio país.

“Nos financiamentos internacionais, bancos grandes como o DnB Nor e alguns bancos alemães estruturam operações de crédito e bancos menores compram participações nestes projetos. Estes bancos menores saíram destes projetos, então os maiores não conseguem diluir um pouco do risco entre as instituições de menor porte. Com isso, temos que priorizar os clientes importantes, tradicionais, do banco”, disse.

Ele acredita que cada vez mais empresas vão recorrer às agências de crédito à exportação (ECAs) internacionais e traçou o perfil das companhias que têm conseguido obter financiamentos hoje em dia. “As companhias que têm administração profissional e uma boa estratégia financeira, não agressiva e com poucos riscos, e que têm responsabilidade social e corporativa.”

A escassez de recursos, alertou, pode significar menos investimentos não apenas na construção naval, mas em infraestrutura e na formação de mão-de-obra, que podem não ser suficientes para atender às encomendas de novas embarcações. “Será que temos capacidade de construir tudo que está se anunciando? Temos estaleiros para isso tudo? Temos oficiais, mão-de-obra qualificada para operar estes navios? O Brasil tem um potencial incrível, recebo relatórios produzidos por funcionários do banco em Oslo, Londres, Cingapura, e o Brasil está em todos. Mas será que teremos estaleiros, engenheiros navais, inspetores, infra estrutura, soldadores e eletricistas qualificados?”, questionou

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